Livros

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CINE RIO

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ERA UMA VEZ ANA QUARESMA

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O DUQUE DA SENZALA

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Título: TRILOGIA DA TERRA ESPANHOLA
Autora: Luciana Ferrari Montemezzo

Tradução anotada e comentada das peças:
Bodas de sangue, Yerma e A casa de Bernarda Alba

ISBN: 978-65-84571-13-6

Formato: 14 x 21
Páginas: 352
Gênero: Teatro
Publicação: Bestiário / Class, 2022

O leitor pode se perguntar por que, passados mais de oitenta anos da morte de Federico García Lorca, ainda é importante traduzir e publicar a parte mais conhecida de sua obra dramática no Brasil. O que torna esses textos ainda interessantes para o público brasileiro do século XXI? E haverá companhias dispostas a encená-las, apesar de serem peças com um grande número de personagens e cenários diferentes, o que, certamente, demanda elevados recursos humanos e financeiros?
Se este mesmo leitor souber que, antes delas, há outras várias traduções, as perguntas podem ter ainda mais sentido. Não seria válida ainda a primeira tradução, feita em 1944, pela poeta Cecília Meireles? Afinal, trata-se de um poeta traduzindo outro poeta, uma vez que o teatro de Lorca está impregnado de poesia. Ou mesmo alguma das demais traduções posteriores, elaboradas ao longo de quase um século, por vários pesquisadores e artistas?
Uma das possibilidades de resposta é que as traduções, diferentemente das obras que as originam, envelhecem. A língua é dinâmica e mutável.

Sobre a autora:
Luciana Ferrari Montemezzo é professora de Tradução e Literatura Espanhola na Universidade Federal de Santa Maria. Como pesquisadora, dedica-se à obra de Federico García Lorca desde o início dos anos 2000. Esta obra é fruto de sua tese de doutorado, na UNICAMP, seguida de pesquisas de pós-doutorado, na Faculdade de Tradução e Interpretação da Universidade de Granada, Espanha. Ali, onde García Lorca nasceu e foi assassinado, a tradutora buscou compreender a cultura que originou Bodas de Sangue, Yerma e A casa de Bernarda Alba. Além disso, observou as peculiaridades do idioleto andaluz, para aproximar-se dele e, assim, aprofundar-se in loco no universo lorquiano. A tradução anotada e comentada, por fim, tem o objetivo de oferecer ao público a contextualização que nem sempre o texto dramático disponibiliza ao seu leitor.

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Título: CINE RIO
Autor: Diego Dill

ISBN : 978-85-94187-71-0
Formato: 14 x 21 cm.
Páginas: 80
Gênero: Romance
Publicação: Class, 2019

UM CINEMA DE PALAVRAS
O nome do livro já indica que vamos ver um filme. Mas, é claro, não há nenhum projetor ligado, nenhuma tela grande, nenhuma trilha sonora. Para vermos esse filme, temos apenas as palavras. E é justamente nisso, na cuidada seleção e combinação das palavras que está um dos encantos do livro Cine Rio. Não é uma prosa que se limita a contar uma história. Embora haja uma boa história contada aqui. Uma trama que se revela aos poucos, tecida com o destino de alguns parcos personagens que se unem pela solidão e pelo abandono. Os próprios lugares, pedaços desolados do mundo, são o espelho dessas vidas pequenas e desgarradas. Mas tudo isso poderia ser apenas um bom road movie se não tivesse o prazer pela comparação inusitada, pela frase com lapidação sonora, pela imagem pintada sílaba a sílaba que Diego Eduardo Dill nos apresenta. É mais do que prosa. Ou, dizendo melhor, é alta prosa.
Ricardo Silvestrin


Sobre o autor:

Diego Eduardo Dill nasceu em Três de Maio (RS) em 28 de março de 1984. Atualmente reside em Cruz Alta (RS), onde é professor de Jornalismo. Já escreveu roteiros para histórias em quadrinhos. Cine Rio é a sua primeira obra literária.

Título: POR CAUSA DE VOCÊ, MENINA
Autora: Maria Ottilia Rodrigues

– PRÊMIO MOZART PEREIRA SOARES

ISBN: 978-65-88865-03-3

Formato: 14 x 21
Páginas: 108
Gênero: Romance
Publicação: Class, 2020

O livro de Maria Ottilia é fruto de uma filosofia primeira, de um questionar-se o tempo todo. O que move a novela é justamente o ato das personagens terem dúvidas – sobre si, sobre o que nos cerca, sobre todas as coisas.
Quem buscar em suas páginas achará um texto que nos incomoda, nos faz buscar entender a personagem principal. A escritora tem um domínio maduro ao dar o direcionamento do percurso da narrativa. Assim, neste romance de formação, as personagens não caem na superficialidade.
Rafael Bassi

“Em “Por Causa de Você, Menina”, Maria Ottilia Rodrigues renova e reenergiza uma das mais antigas formas literárias: o diálogo. Platão usou-o para desvelar o mundo das ideias; Sêneca, para ensinar a arte de viver e morrer. Maria Ottilia resgata esse formato para tratar de temas urgentes, e o faz em um estilo não só dialético, como dinâmico e surpreendente. Ao caráter reflexivo do diálogo, “Por Causa de Você, Menina” acrescenta a agilidade da narrativa, dando corpo a um relato que se constrói nos interstícios da fala e conduz a leitura a inesperadas e comoventes revelações.”
José Francisco Botelho

Neste breve romance de interiores, intimamente geracional e conjurado a partir do antigo poder do diálogo, Maria Ottilia constrói uma espécie de versão porto-alegrense do filme Encontros e desencontros. Mais ruidosa, é verdade, mas a trilha sonora compensa.
Pedro Gonzaga

“A vida, no geral, é um ramo de exceções” esta é uma das frases mais impactantes da obra que marca a estreia em prosa de uma das mais promissoras escritoras da atualidade, Maria Ottilia Rodrigues. De forma competente e realista, mas sem deixar de ser poética em nenhum momento (poesia esta que se constitui numa das mais conhecidas qualidades da autora), ela a aborda a realidade dos relacionamentos na atualidade – permeada por desencontros e por aplicativos de mensagens – na qual ainda é possível ver o amor brotar. Por causa de você, menina nos tira do texto diversas vezes, nos fazendo olhar para a nossa própria realidade, a partir das questões filosóficas sobre a vida e sobre os afetos, que a autora nos proporciona com muita maestria. O primeiro romance de Maria Ottilia é a história de um amor possível, desde que todos nós aceitemos todos os riscos que envolve o ato de se apaixonar. Enfim, Por causa de você, menina nos convida a testemunhar o surgimento de uma ótima romancista, uma voz que por falar de amor em meio ao caos do cotidiano, desponta como uma grande exceção em meio a tempos tão obscuros.
Fernanda Mellvee

Sobre a autora:
MARIA OTTILIA RODRIGUES tem 18 anos. Estreou na literatura em 2019, com a coletânea de poemas Savanália, pela Bestiário. Pela mesma editora publicou Canibalística, outra coletânea de poemas inéditos.
Este é o seu primeiro romance.
Em 2020, Eduardo Jablonski publicou no livro Deusas da poesia, o ensaio Maria Ottilia Rodrigues, “A menina-prodígio” sobre a sua obra.

Título: MILONGA DE UM PAMPA ESQUECIDO
Autor: Carlos Guilherme Vogel

ISBN978-65-88865-36-1 

Formato: 14 x 21
Páginas: 70
Gênero: Romance
Publicação: Class, 2021

Ao percorrer o caminho de volta ao pampa, Eduardo se encontra com fantasmas do passado. A velha tataravó, muitos anos depois da morte, ainda perambula a zelar pelos seus vivos. O temido degolador Adão de la Torre e as vítimas da criolla apresentam-lhe as implicações do que é ser homem naqueles remotos campos do Rio Grande. Em meio ao verde das coxilhas que ainda sobrevivem, vida e morte coexistem e se complementam. É neste retorno que Eduardo desvenda os mistérios de sua própria história.

SOBRE O AUTOR
Carlos Guilherme Vogel é natural de Cruz Alta (RS). Doutorando e Mestre em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é formado em Roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro e realizou cursos na Escuela de Cine y TV (Cuba) e na Prague Film School (Rep. Tcheca).
Contador de histórias, atua como diretor e roteirista cinematográfico. Entre seus trabalhos, destacam-se os documentários “Soccer Boys” e “Copinha, um Sentimento”, os curtas “The Player”, “Eterno Fim” e “Guia Prático para escolher o Sofá dos seus Sonhos” e a websérie “Agora somos 2”.
Com o romance “Milonga de um Pampa Esquecido” faz sua estreia na literatura.

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Título: ERA UMA VEZ ANA QUARESMA
Autora: Suzana Kilpp

ISBN: 978-65-991765-4-8

Formato: 14 x 21
Páginas: 196
Gênero: Romance
Publicação: Class, 2020

No tudo em que Carolina se envolvera para chegar mais perto da verdade só ficara uma coisa de definitivo: Ana Quaresma existiu. E se foi ou não o ponto central da narrativa não importava mais, pois poderia ter sido qualquer um: dependia apenas do ponto de vista do narrador. Ela, Carolina, tentaria ser a que defenderia esse ponto de vista, o do passado que dura, num confronto com a perspectiva a ser assumida por Deniel, aquele que nada viu e nada ouviu, e que contaria a história do presente.
Antes, porém, precisava falar sobre o que acontecera com ela e Ana Quaresma. E o que fizera depois de Alcântara, que também existiu.

Sobre a autora:

Suzana Kilpp nasceu em Estrela em 1948. Tem vários livros publicados sobre televisão. Como ficcionista, publicou QuaresmaGeração Grapette, Ana Quaresma, O norte é para lá e O livro dos neuróticos.

Título: DOZE LIÇÕES
Autor: Daniela Kern

ISBN 978-85-94187-48-2

Prêmio Biblioteca Nacional de Criação Literária
Prêmio Academia Rio-Grandense de Letras
Finalista do Prêmio AGES
Finalista
 do Prêmio Açorianos

Formato: 14 x 21 cm.
Páginas: 198
Gênero: Romance
Publicação: Class / Bestiário, 2019

Sinopse

Uma professora de História da Cultura, leitora compulsiva que não para de pensar sobre os conteúdos que ensina e que se sente sempre doente. Alunos que estão interessados nas aulas. E alunos que não estão. Uma longa lista de autores clássicos ocidentais a analisar em apenas um semestre. Some-se a isso uma larga dose de ironia e temos aqui uma reflexão satírica sobre o estado do ensino da cultura no sul do Brasil no conturbado ano de 2013.

Sobre a autora

DANIELA KERN é historiadora da arte, escritora e tradutora. Professora Asssociada do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, Porto Alegre/RS), é Bacharel em Artes Visuais, com habilitação em História, Teoria e Crítica da Arte (1998) pela UFRGS, e tem Mestrado (2002) e Doutorado (2008) em Letras, com ênfase em Teoria da Literatura, pelo PPGL/PUCRS, sob orientação do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. Publicou, entre outros, os livros Tradição em paralaxe: a novíssima arte contemporânea sul-brasileira e as “velhas tecnologias” (Editora do Museu Julio de Castilhos, 2013) e Paisagem Moderna: Baudelaire e Ruskin (Sulina, 2010). Além disso, traduziu para o português obras como O sentido de ordem, de E.H. Gombrich (Bookman, 2012) e O mercado da arte, de Raymonde Moulin (Zouk, 2007). 

Título: A CASA DE LETEA
Autor: Mauro Maciel

ISBN: 978-65-88865-61-3

Formato: 14 x 21
Páginas: 266
Gênero: Romance
Publicação: Bestiário / Class, 2021

Este é um livro sobre a importância do amor, sobre a felicidade e sobre a busca de sentido para a vida. Em uma narrativa tão comovente quanto instigante, o escritor Mauro Maciel nos remete às questões fundamentais que impactam a existência humana. A cada capítulo de A casa de Letea, descobrimos acontecimentos que nos remetem constantemente a nós mesmos: somos conduzidos a perceber que dizer é esperar que esse dito seja algo novo, e que tudo seja diferente a partir dele – por isso dizemos (esperamos que esse dito mude tudo); um envelope com uma carta misteriosa pode impactar sobremaneira as trajetórias de várias vidas – “as grandes mudanças caminham com pés de pomba”, disse Nietzsche; nas relações entre o silêncio, o tempo e as lembranças habita a possibilidade de autotransformação – em nome do amor, pode ser necessário atravessar o deserto para nos encontrarmos de forma definitiva.

do texto de Felipe Szyszka Karasek

Sobre o autor:
Mauro Maciel nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, e cresceu em Uruguaiana, na fronteira do Brasil com Argentina e Uruguai. Escreveu os romances A Pedra do Doutor Getúlio, A travessia do Rio Japeju (2º lugar no Prêmio Saraiva de Literatura, O memorial do desterro (Vencedor do Prêmio Kindle de Literatura) e O coveiro de Buenos Aires (Finalista do Prêmio AGES de Literatura). O autor vive em Florianópolis.

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Título: O DUQUE DA SENZALA
Autor: Valdomiro Martins

ISBN : 978-85-94187-80-2
Formato: 14 x 21 cm.
Páginas: 160
Gênero: Romance
Publicação: Class, 2019

Há personagens que se impõem à imaginação como sonhos, pesadelos ou delírios. Outros, como seres fantasticamente reais, por longo tempo escondidos nos meandros do mundo, aguardando o momento de saltar às páginas e impor-se à ordem das coisas – para então surgirem à nossa frente, dizendo, como a sarça em chamas, eu sou o que sou. Esses personagens não são fantasmas, nem monstros, nem deuses, mas exemplares de pungente humanidade, apresentando-se de forma tão verossímil e poderosa que, às vezes, parecem até mais reais que nós mesmos; e o que há de fantástico em sua aparição é que sentimos reconhecê-los profundamente, como se estivessem entre nós sem que percebêssemos. Deparar-se com tais criaturas é uma alegria e um assombro. Espantosa felicidade, feliz espanto que agora espreita os leitores deste livro – pois nele hão de conhecer o gaúcho negro Egas Faraó, “o Duque da Senzala”, impressionante e vertiginosa criação do escritor bajeense Valdomiro Martins.
Em sua obra clássica Historia del Gaucho, o historiador uruguaio Fernando O. Assunção elenca trinta e sete possíveis origens linguísticas para a palavra “gaúcho”; entre elas, um termo espanhol do século XVIII que significava “irregular, canhoto”. Segundo essa explicação etimológica, o gaúcho original seria um “desvio” na história dos impérios coloniais, uma ramificação inusitada, uma criatura das margens. E, nesse sentido, o negro Egas Faraó, veterano das charqueadas e das guerras do continente, às vezes bandoleiro, às vezes justiceiro, é o gaúcho por excelência. Após conquistar com sangue e teimosia sua liberdade e sua independência, ele funda seu pequeno reino nas profundezas da fronteira entre o Brasil e o Uruguai, “um mundo de mato e bosta”, “terra estranha, cruel e apaixonante” onde “a glória e o terror” se misturam em doses iguais. É lá que o encontramos, senhor de seu mundo, verossímil e fatal.
Espécie de Martin Fierro afro-pampiano, Egas Faraó vem engrossar as histórias fragmentárias do negro Bonifácio (protagonista no conto homônimo de Simões Lopes Neto) e do Tio Lautério (personagem-narrador do Antônio Chimango, de Amaro Juvenal). Ambos são epítomes do gaúcho campeiro, essa híbrida figura literária que oscila eternamente entre a híbris e a sapiência, ora terrível, ora prudente, mas sempre formidável. Contudo, pouquíssimo sabemos sobre eles. Suas histórias permaneceram escamoteadas na fumaça das letras. Em O Duque da Senzala, Valdomiro Martins nos apresenta um digno sucessor desses personagens, mas o faz com minucioso e impactante desvelamento. Num estilo hard-boiled, que ora lembra o romance policial noir, ora remete ao faroeste épico, Valdomiro reconstrói uma história de escravidão, brutalidade, injustiça e sobrevivência – a história de Egas, que poderia também ser a história de Bonifácio e Lautério, e que reflete as vidas ocultas de tantos personagens reais, cujos rastros Valdomiro seguiu e resgatou em acurada e importantíssima pesquisa documental.
Nosso encontro com Egas não ocorre de forma imediata. Num eficiente lance narrativo, Valdomiro inicia seu relato pelo ponto de vista de outro personagem: o citadino Ábedu Lecur. Vendido pela própria mãe, ele não recorda o rosto dos pais (exceto nos sonhos) e passa a infância como escravo em uma mansão aristocrática em Porto Alegre. É apresentado ao mundo dos livros por Sotero, velho cativo que encontrou sua liberdade possível nos recônditos de uma biblioteca. Escapando ao cativeiro, Lecur torna-se homem letrado, torna-se republicano. Percebe que o fim da escravatura não resgatou seus semelhantes da opressão, da injustiça, da miséria; algum outro gesto, drástico e grandioso, deve ser feito para endireitar os horrores de História. Então vem a queda da monarquia, despertando sonhos de redenção e justiça universais. O início da Revolução de 1893, contudo, o convence de que será necessário lutar para impor sua visão ao mundo. Por isso, Lecur parte numa jornada louca e perigosa à região da Campanha, aos primitivos recessos da Fronteira. Lá, pretende campear e matar os “irmãos castelhanos” que comandam os rebeldes e ameaçam derrubar a República recém nascida. Para isso, precisa contar com a ajuda de Egas Faraó – pois o pampa é um inferno fascinante que só abre as portas a seus próprios filhos. A relação conturbada e envolvente entre Lecur – idealista, visionário, positivista – e Faraó – cético, individualista, indomável – é a alma que confere vida e verossimilhança a essa surpreendente narrativa de aventura, vendeta, violência e talvez amizade.
Em alguns momentos, O Duque da Senzala lembra aquelas jornadas infernais de que a literatura é profícua: os nove círculos dantescos, as andanças de Ulisses e Eneias entre os mortos. Em outras passagens, assume um ritmo alucinante e irredimível que recorda o cinema de Sam Peckinpah – especialmente Meu ódio será tua herança e Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia. Também há toques de realismo mágico, pois os tais “irmãos castelhanos” talvez sejam encarnações de antigos demônios que assombram há séculos os pampas e cujos nomes ecoam presságio e ameaça: Basilisco, Gualicho e Yarará. E há também ressonâncias de outras obras, de outras emoções: Lecur tem algo de Prometeu, em sua revolta humanista contra a tirania dos deuses; Faraó tem algo de Aquiles, Hércules, Iago. Além do mais, acaso não é este um traço de reconhecimento que atravessa toda a literatura, de fora a fora, e que une textos separados por séculos e continentes e culturas: a teimosia humana – que alguns chamam heroísmo, outros, loucura – em afirmar sua própria dignidade, em lutar contra o apagamento e o olvido, mesmo nos abismos da truculência e da opressão, mesmo quando seres humanos são tratados como bestas e coisas?
Por múltipla que seja, a obra exibe, de ponta a ponta e de forma homogênea, aquele elemento essencial a todo romance histórico, e tão difícil de se efetivar: a verossimilhança sensorial, isto é, a impressão de que andamos de fato por um mundo desaparecido e magicamente recuperado. Nas páginas deste livro encontramos a sombra de casarões há muito demolidos; a pestilência da Porto Alegre antiga; o rebrotar de sangue nas querelas políticas; a grama congelada que se parte sob os cascos dos cavalos na amplidão glacial do pampa. O grande ermo da campanha, aliás, vai pouco a pouco emergindo como um dos personagens centrais desta aventura: mundo primevo e fatídico, onde as lealdades e os ódios pessoais sobrepõem-se às considerações abstratas; onde um rifle Smith & Wesson pode adquirir os contornos de um artefato mortiferamente mágico; onde curandeiras charruas traçam cruzes de sal no dorso dos pedregulhos; onde o nevoeiro se esgarça nas cruzes de velhos cemitérios; onde cavernas soturnas ocultam tesouros; e por onde ecoa a sussurrada sabedoria do gaúcho negro, em epigramas terríveis e certeiros, como este: A vida não foi inventada para ser entendida.

Título: A CASA DOS IMPOSSÍVEIS
Autor: José Eduardo Degrazia
Capa: Elizethe Borghetti

ISBN 978-85-94187-18-5

Dimensões: 14 x 21 cm
Páginas: 166
Gênero: Teatro
Ano: 2018

A situação enfocada por Degrazia desenvolve contexto um pouco diferente: dois personagens, um homem e um velho, depois de assaltarem a um banco, escondem-se em uma casa abandonada nos arredores de uma cidade e dela se tornam prisioneiros. Para Degrazia, claramente, não há um dominador e um dominado constantes. As rubricas da peça são claras: a cada cena, o jovem ou o velho vestem um roupão vermelho, uma espécie de símbolo do poder de que usufruem, humilhando o outro. Mas nenhum deles, embora querendo, consegue deixar a casa. O texto pode ser lido tanto enquanto uma crítica ao papel das gerações quanto, na perspectiva metafórica, ser pensado como a ditadura
brasileira (alusão indireta ao slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”, que circulou no pior período da violência do regime ditatorial, o período de Emílio Garrastazu Médici.
Os demais textos, a que o autor denomina alternativamente de farsas, comédias ou quadros, focam sua atenção em situações variadas e cujos títulos quase sempre explicitam O maior e, por isso, principal texto que o leitor aqui encontrará chama-se “A casa dos impossíveis”. Já no título, a ironia, talvez, hoje, dolorida. A situação reflete, de certo modo, um contexto que já havia sido desenvolvido pelo filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, em “Huis clos” (“Entre quatro paredes”, em português), do mesmo modo que pelo dramaturgo irlandês Samuel Beckett, em “Endgame/Fin de partie”, conforme a versão inglesa ou francesa (“Fim de partida”, em português) ou, mais recentemente, e em nossa própria província, por Ronald Radde, em “B… em cadeira de rodas”. No caso de Sartre, temos um pós-mortem em que alguns personagens são reunidos, aleatoriamente: cada um teme o olhar do outro, porque este olhar significa uma espécie de julgamento. Um olhar de alguém que implica num juízo de valor contra o qual nada podemos fazer – daí a frase “o inferno são os outros”. O fundo da peça sartreana era filosófico.
No caso de Beckett, o texto, escrito alguns anos depois da tragédia de Hiroschima e Nagazaki, trazia alusões indiretas àquele holocausto.
No caso de Radde, temos também um contexto posterior a uma catástrofe em que um dominador, embora em uma cadeira de rodas, mantém controle sobre um outro personagem que, embora livre, ou aparentemente livre, é-lhe subserviente.
A situação enfocada por Degrazia desenvolve contexto um pouco diferente: dois personagens, um homem e um velho, depois de assaltarem a um banco, escondem-se em uma casa abandonada nos arredores de uma cidade e dela se tornam prisioneiros. Para Degrazia, claramente, não há um dominador e um dominado constantes. As rubricas da peça são claras: a cada cena, o jovem ou o velho vestem um roupão vermelho, uma espécie de símbolo do poder de que usufruem, humilhando o outro. Mas nenhum deles, embora querendo, consegue deixar a casa. O texto pode ser lido tanto enquanto uma crítica ao papel das gerações quanto, na perspectiva metafórica, ser pensado como a ditadura brasileira (alusão indireta ao slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”, que circulou no pior período da violência do regime ditatorial, o período de Emílio Garrastazu Médici.
Os demais textos, a que o autor denomina alternativamente de farsas, comédias ou quadros, focam sua atenção em situações variadas e cujos títulos quase sempre explicitam as intenções: “O Senhor Político e sua Senhora”, a respeito da corrupção dos políticos (a atualidade é triste…); “Escola de assaltantes” parece parodiar Jean-Baptiste Poquelin, o Molière, e sua “Escola de mulheres”, mas fala a respeito da diferença entre o pequeno ladrão de galinhas e o grande ladrão de colarinho branco (continua atual, do mesmo modo); “O editor” é uma brincadeira a respeito da corrupção, agora já ao nível privado, a evidenciar que tal prática não é prerrogativa de uma só categoria social; o mesmo ocorre com “O médico oficial e o médico alternativo”, em que se discute a corrupção no campo da medicina, atividade que, ao invés de ser um apostolado, conforme o juramento de Hipócrates, tornou-se uma prática altamente rentabilizada; “Jornalista sacana e o jornalista sério”: o texto é uma variante do texto anterior, apenas trocando a ocupação e a prática profissional (mas a tendenciosidade se mantém a mesma); “O motorista” serve de pequeno descanso das acusações politizadas para ser apenas um “divertimento” , assim como “Está tudo bem”, em que uma família de classe média alta não alcança entender o porquê de haverem revoltas populares por falta de dinheiro para adquirir alimentos e garantir a sobrevivência das pessoas. Mais que isso, evidencia que a corrupção é uma prática interiorizada e privatizada.
Talvez um dos textos mais risíveis e, ao mesmo tempo, mais oportunos para se entender o que ocorreu com as esquerdas brasileiras seja “O Ministro da Economia e a Velha Patusca”, em que os dois personagens, aparentemente situados em campos opostos, num primeiro momento, acabam encontrando pontos em comum e juntar seus interesses numa atividade articulada. Aliás, não creio ser casual ou aleatório o fato de a coletânea se encerrar com outro texto um pouco mais longo, “A suburbana”. Nesta cena, temos a transformação da jovem casadoira numa espécie de prostituta amadora, mas bem instalada na vida, retrato fiel, infelizmente, de boa parte da classe média nacional.
Em síntese, eis um volume com textos antigos, com quase cinquenta anos de distância entre sua criação e sua publicação. Velhos? Parecem. Mas quando a gente começa a lê-los, eles ganham uma lamentável atualidade. Talvez seja por isso que a gente os lê com um travo na garganta. E talvez seja por isso que José Eduardo Degrazia tenha se decidido a publicá-los. Sim, seria realmente muito bom se eles fossem velhos, como podem parecer. Mas, infelizmente, eles são absolutamente contemporâneos. Infelizmente.

Título: RELATOS PÓSTUMOS DE UM SUICIDA
Autor: Cassionei Niches Petry

ISBN 978-65-990301-1-6

Dimensões: 14 x 21 cm
Páginas: 82
Gênero: Romance
Ano: 2020

“As memórias póstumas de Brás Cubas são um romance?”, questionou Capistrano de Abreu sobre a obra de Machado de Assis. Fiz a mesma pergunta ao Cassionei, que denominou de romance o livro que o leitor tem agora em mãos. Pela extensão, pode ser uma novela, porém, há contos que a compõem e até o título traz a expressão relatos. O autor me respondeu com outra pergunta: e há distinção hoje entre essas duas formas de narrativa? Respondi que não, até porque se alguém afirma que escreveu uma novela, a maioria vai pensar em um folhetim televisivo. De qualquer forma, é uma narrativa que conta a história de Frederico Assmann, escritor que faz publicações em parceria com editoras sob demanda e relata as frustrações com o silêncio sobre sua obra e com a atividade como docente em uma escola pública. O mais do mesmo, em princípio. A narrativa, no entanto, muda a partir do relacionamento do protagonista com Mikaela, uma garota de programa e estudante universitária que também gosta de literatura. Porém, nada é o que parece ser.

Júlio Nogueira
mestre imaginário do autor

 

SOBRE O AUTOR
Cassionei Niches Petry é Mestre em Letras e professor de Língua Espanhola e Literatura no Ensino Médio. Nasceu e mora em Santa Cruz do Sul – RS. Além de escrever crônicas e críticas literárias para jornais e sites diversos, é autor dos livros de contos “Arranhões e outras feridas” (2012), “Cacos e outros pedaços” (2017) e do romance “Os óculos de Paula” (2014). Mantém o blog “Uma biblioteca na cabeça” (cassionei.blogspot.com).

Título: AMY FOSTER
Autor: Joseph Conrad
Tradução e ensaio: Fernanda Mellvee

ISBN 978-85-94187-54-3

Formato: 14 x 21 cm.
Gênero: Romance
Publicação: Class / Bestiário, 2019

Sinopse

Uma jovem simples, meio sem-graça, humilde e submissa, em sua terra natal. Um jovem cheio de vitalidade, que larga tudo em seu país longínquo e pobre e sai ao mar em busca de esperança e novos rumos, mas se vê de repente náufrago numa terra estranha e hostil. O encontro dos dois é o tema de que se utiliza Joseph Conrad para forjar ‘Amy Foster’. No que parecia uma existência sombria e sem sentido, o rapaz reencontra a esperança no gesto simples e generoso de Amy Foster, moça por quem se apaixona, numa trama que envolve amor, medo e drama profundo. Mais que tudo, ‘Amy Foster’ é o relato pungente sobre a hotilidade às vezes desumana com que as pessoas, com muita freqüência, tratam tudo o que é diferente delas e causa estranheza a seus hábitos e ideias. 

Sobre o autor

Joseph Conrad, nascido Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski nasceu no dia 3 de dezembro do ano de 1857, na cidade de Berdichev, na Ucrânia, então dominada pela Rússia czarista. Seus pais eram nacionalistas poloneses e, em decorrência de suas atividades políticas contrárias ao domínio russo, foram mandados para a província de Vologda, ao norte da Rússia. Joseph, aos quatro anos, os acompanhou no exílio. A mãe de Joseph faleceu logo em seguida à chegada à Vologda, e seu pai, quando Joseph tinha onze anos. Após a morte dos pais, Joseph ficou aos cuidados de seu tio Thaddeus Bobrowski. Conrad, aos dezesseis anos, apesar dos apelos do tio para que seguisse carreira universitária, viajou à Marselha, para realizar o seu sonho de viver em alto mar. Em 1878, Conrad embarcou como aprendiz em um navio inglês. Os próximos vinte anos ele permaneceria a serviço da marinha britânica, que deu a ele oportunidade de conhecer países na África, América, Europa e Ásia. Este período propiciou ao escritor as experiências que o acompanharam durante toda a sua obra. No ano de 1886, Conrad tornou-se um cidadão britânico e, em 1894, aposentou-se da marinha, sob o título de capitão-de-longo-curso, para dedicar-se à escrita em tempo integral. Em seu primeiro romance, A loucura do Almayer (1895), o autor dá pista aos leitores sobre o que esperar de suas próximas obras, Almayer é um sujeito solitário, que, em busca de prestígio e riqueza acaba extraviando-se da própria identidade. Toda a obra do escritor é marcada pela temática do conflito do homem contra o próprio homem. Em romances como O coração das trevas (1902), o autor expõe a natureza humana levada aos extremos, onde o ser humano é destituído da própria humanidade. É através do choque de culturas, como se observa em Amy Foster (1901) que o autor propõe uma profunda reflexão sobre a relação entre o indivíduo e a humanidade, bem como entre a civilização e a barbárie. 

Título: LADIES IN LAVENDER
Autor: William John Locke e Fernanda Mellvee

ISBN 978-85-94187-03-1

Dimensões: 14 x 21 cm
Páginas: 54
Gênero: Novela, Ensaio
Ano: 2017

A história que inspirou o filme de Charles Dance “O violinista que veio do mar” com atuação de Judi Dench, Maggie Smith e Daniel Brühl

O escritor William John Locke nasceu no dia vinte de março de 1863, em Demerara, na Guiana Inglesa. Locke foi romancista, dramaturgo, porém, seus contos e novelas o fizeram conhecido além de seu país. Entre as suas principais obras está a coletânea Far-away Stories, que, no ano de 1919 foi publicada reunindo diversos contos, entre eles, Ladies in lavender. William John Locke faleceu em Paris, aos sessenta e sete anos, no ano de 1930.

Fernanda Mellvee é o pseudônimo de Fernanda de Mello Veeck, que nasceu na cidade de Porto Alegre, no ano de 1985. A tradutora é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde atualmente é mestranda em Teoria, crítica e comparatismo. Apaixonada por Prosa e Poesia, tem poemas e contos publicados em diversas antologias. Em 2014, venceu o 2º concurso de contos da Feira do Livro de Santo Ângelo-RS. Entre os mestres que a inspiram estão Álvares de Azevedo, seu primeiro amor da literatura, depois vieram Tchekhov, Tolstoi e Dostoievski.

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